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O QUE É PARALISIA CEREBRAL


Fabiana Breviglieri Almeida*


Este artigo pretende explicitar as conceituações do que é paralisia cerebral, sua etiologia, classificação e diagnóstico.
Na literatura especializada existe uma gama enorme de definições que conceituam a paralisia cerebral.
Segundo Little Club (1959) "paralisia cerebral é uma desordem do movimento e da postura, persistente, porém variável, surgida nos primeiros anos de vida pela interferência no desenvolvimento do SNC, causada por uma desordem cerebral não progressiva."
Outra definição é aquela formulada por Barraquer Bordas e col (1966), segundo a qual a "paralisia cerebral é a sequela de uma agressão encefálica, que se caracteriza primordialmente por um transtorno persistente, porém não invariável, do tônus, da postura e do movimento, que surge na primeira infância e que não é somente secundária a esta lesão não evolutiva do encéfalo, mas se deve também à influência que a referida lesão exerce sobre a maturação neurológica."
Uma terceira definição, que também aceita condições hereditárias no conceito de paralisia cerebral, é a de Hagberg e col (1975): "a paralisia cerebral é definida por um prejuízo permanente do movimento ou da postura que resulta de uma desordem encefálica não progressiva. Esta desordem pode ser causada por fatores hereditários ou eventos ocorridos durante a gravidez, parto, período neonatal ou durante os dois primeiros anos de vida."
Estas e todas as definições propostas procuram estabelecer as características básicas do que entendemos por paralisia cerebral. Pelas definições acima, pode-se perceber que o termo Paralisia Cerebral tem sido empregado para se referir a um grupo muito heterogêneo de condições, tendo como etiologia causas múltiplas. A causa manifesta-se, principalmente, por uma desordem do movimento e da postura. Este prejuízo motor é o que predomina dentre os sintomas e sinais apresentados pelos pacientes; porém, quase nunca é o único.
O termo Paralisia Cerebral é considerado por muitos autores inadequado, pois significaria uma ausência total de atividades físicas e mentais, o que não ocorre nestes quadros. Talvez fosse mais correto o emprego do termo genérico, criança com lesão cerebral. O termo Encefalopatia Crônica Infantil Não-Evolutiva também é usado, no qual estão imbuídas numerosas afecções com várias etiologias e quadros clínicos muito diversos, tendo em comum o fato de afetarem o SNC da criança com um caráter crônico. Essas afecções têm início no período pré-natal ou nos primeiros tempos de vida extra-uterina com a característica de interferir no desenvolvimento do sistema nervoso central.
Qualquer que seja a definição de paralisia cerebral utilizada, ela dá conta somente da patologia, sem revelar nada do seu portador, ou seja, do indivíduo que tem uma lesão, não progressiva, que atinge o seu sistema nervoso central de forma variável em grau de severidade. Essa sequela se apresenta como um quadro de dificuldades predominantemente motoras e é caracterizada por alterações do tônus muscular e por alterações dos padrões de postura e de movimento. Além dessas dificuldades, esse indivíduo pode apresentar outros comprometimentos como alterações sensitivas e/ou perceptuais, rebaixamento mental e ainda um quadro convulsivo. A possibilidade para qualquer atividade funcional é muitas vezes quase inexistente e a interação mãe/filho fica também comprometida, não só pela dificuldade da criança nos níveis acima citados, como também pela dificuldade da mãe em compreendê-las.
Quanto à etiologia, para muitos autores a paralisia cerebral se acha relacionada à anormalidade pré, peri e pós-natal.
Uma série de fatores podem causar lesão no encéfalo durante o período pré-natal. Entre eles podemos citar um agente metabólico (diabete materna), um agente infeccioso (rubéola materna) e um agente mecânico (irradiação).
No que diz respeito às causas peri-natais podemos ter vários problemas ocorridos durante o nascimento que podem ser agentes de lesões encefálicas. Para alguns autores, são os problemas do parto os agentes mais comuns na etiologia da paralisia cerebral e dentre eles podemos citar: as hemorragias intracranianas, anoxias, asfixia do nascimento e desconforto respiratório.
Dentre os fatores pós-natais, ou seja, desde o nascimento até a primeira infância estão as doenças infecciosas (meningites e encefalites), os distúrbios vasculares, traumas e tumores cerebrais.
Ainda podemos incluir as convulsões de várias etiologias que incidem no período neonatal, e que são capazes de agravar algumas das lesões.
Quanto às classificações que definem os tipos de paralisia cerebral, podemos levar em conta o tipo de envolvimento neuro-muscular, os membros atingidos por este comprometimento e o grau de comprometimento motor.
De acordo com o tipo de envolvimento neuro-muscular, algumas categorias são citadas pelos autores: espasticidade, atetose, ataxia, tremor, rigidez, hipotonia e misto. Destes, os três primeiros são os mais frequentemente encontrados na prática diária.
A criança espástica apresenta um tônus que é predominantemente alto. A movimentação é restrita em amplitude e é feita com grande esforço.
A criança atetóide apresenta sempre um tônus muscular instável e flutuante. Aparecem movimentos involuntários e incoordenados que dificultam a atividade voluntária. São características as trocas bruscas de tônus muscular, passando de um tônus diminuído ou normal à hipertonia ou vice-versa.
A criança atáxica caracteriza-se por transtornos do equilíbrio, hipotonia muscular e falta de coordenação em atividades musculares voluntárias.
Os tipos mistos de paralisia cerebral ocorrem com frequência: quando a criança combina características dos vários quadros, embora tenha predominância maior de um deles.
De acordo com os membros atingidos pelo comprometimento neuro-muscular podemos ter o grupo das displegias onde as crianças apresentam um comprometimento maior das extremidades inferiores do que das superiores; o grupo das crianças com quadriplegia que apresenta um comprometimento do corpo todo e o grupo das hemiplegias onde a criança apresenta um dimídio (lado) do corpo comprometido.
De acordo com o grau de incapacidade podemos ter: leve, moderado e severo.
O diagnóstico de Paralisia Cerebral pressupõe um amplo e cuidadoso diagnóstico diferencial. Esse diagnóstico deve ser realizado, sempre, por uma equipe multidisciplinar e o mais precoce possível. A comunicação entre os membros da equipe multidisciplinar é crucial para uma boa evolução do caso.


BIBLIOGRAFIA:
- TABITH JUNIOR, Alfredo Foniatria: disfonias, fissuras lábio- Palatais e paralisia cerebral. 6 ed, São paulo, Ed Córtex, 199
- SCHWARTZMAN, José Salomão Paralisia Cerebral In: Temas Sobre Desenvolvimento, São paulo, v.3, n.13, p.4-21, 1993
- EICHER, Peggy S. ; BATSHAW, Mark L. Paralisia Cerebral In: A Criança com Deficiências do Desenvolvimento


Fonoaudióloga Clínica em São Paulo

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